Fã portuguesa em Pequim

Ana Carmo, Fã portuguesa de Michael Jackson a viver na capital da China, Pequim, faz publicação emocionada aos amigos em Portugal de alerta sobre o coronavírus, a qual reproduzimos na íntegra:

«Porque a vida continua, somos fortes… se todos formos responsáveis e conscientes… Mas talvez não o sejamos…

Muito tenho resistido nos últimos dias, sempre que venho a redes sociais como o Facebook, Instagram… chego ao ponto, de desligar para não ter de ficar aborrecida com 90% por cento das publicações que vejo… chego ao ponto de não entender, se a maior parte da vossa atitude parte por ignorância, desconhecimento ou por outro motivo mais forte, cuja razão desconheço.

Mas de facto a vossa DESPREOCUPAÇÃO, assusta-me.

Duas semanas depois de ter regressado ao trabalho (a minha empresa entre outras retomaram a sua atividade, e as restantes vão tomando o seu tempo), ao qual estamos todos distantes um dos outros no escritório, usamos máscaras, desinfetantes, luvas e sim, cada um tem o seu pack de papel higiénico e sabonete, mas a vida vai voltando minimamente ao normal, evitando ainda alguns meios de transportes, maioritariamente os não ventilados como metros e autocarros, estamos , agora, finalmente e aparentemente sobre uma situação de algum alivio.
No entanto, por volta do dia 25, 26 de fevereiro, tinha a Itália “apenas” 200 infetados, fiz o que achei correto fazer. Avisei familiares, amigos mais próximos sobre os riscos desta situação, e para se poderem precaver a tempo, do surto que brevemente poderia bater às vossas portas.

Pensei eu, que me iriam ouvir!

Afinal de contas uma pessoa está aqui, na China, no epicentro, naquele que era o drama noticiado pelo mundo inteiro, onde tudo começou, onde se descontrolou, mas também onde tal foram as medidas que não havia oportunidade para mais. Foram semanas em casa, onde apenas se saía caso fosse estritamente necessário, onde o tempo passa devagar, onde tal é o tédio que já nem livros, filmes ou séries conseguimos ver. Onde modificamos a nossa casa, porque nos cansamos de estar tempo a mais dentro dela. Onde abrimos as janelas para o ar arejar, onde as nossas mãos secam com a utilização de luvas e álcool, onde a nossa cara começa a ficar rosada do uso de máscaras. Onde fazemos quarentena, e essa quarentena passa por dias a fio em casa, tentando manter alguma sanidade…

Pensei eu, que me iriam ouvir!

Recebi como resposta, quase todas elas da mesma forma… (cheguei a pensar que tal coincidência seria bruxedo… mas era apenas cultural) … entre essas respostas, vieram “É apenas uma gripe”, “aqui ainda não chegou”, “não estamos preocupados. somos fortes”, “a vida continua” …

Dias foram passando, desde que, aqui deste lado do mundo, pressentimos que a Itália e consequentemente a Europa se iria descontrolar, e vimos que a despreocupação e desconhecimento continuaram. Desde então, a Itália atingiu um pico de 12 mil infetados e 900 fatalidades… Portugal, entretanto atingiu o número de infetados que a Itália e Espanha tinham a um mês atras, hoje com mais de 12 mil e 2 mil, respectivamente.

Mas continua tudo bem… A rápida ação de fechar estabelecimentos, ou antecipar férias da páscoa, fazem-me sentir quase que um alívio por saber que alguém afinal meteu o “rabinho entre as pernas” e agiu… mas não fosse eu também portuguesa, e saber como agiríamos…

Quero com isto dizer, embora custe o sacrifico, custará muito mais o dia que vocês virem alguém conhecido ou familiar adoecer, custará ainda mais quando começar a haver fatalidades e vocês as conhecerem… custará, o dia em que vocês sentem falta de ar no peito, no dia em que nem forças nas pernas têm, tal é o cansaço…

Por favor, protejam-se, a vocês e aos vossos, aos vossos pais, avos, amigos… usem máscaras, desinfetantes, o que for necessário para se protegerem… NÃO É UMA APENAS GRIPE, é um novo vírus que afetou mais de 130 mil pessoas no mundo. E se vocês querem apenas olhar para os números, olhem então para estes: essas 130 mil pessoas no mundo (não havendo medicação, vacinação e o desconhecimento sobre o novo vírus é ainda muito) são 130 mil pessoas que podem ser possíveis fatalidades…

Não é uma brincadeira, não são ferias! É perigoso, é altamente contagiante, por isso a praia, o café, o restaurante, o cinema, o ginásio, as compras de roupa ou sapatos no shopping, tudo isso pode esperar….

E a vossa saúde? Quanto tempo precisa ela esperar, para que vocês percebam realmente a situação?

PAREM DE IGNORAR O PROBLEMA, ISTO É SÉRIO! PROTEJAM-SE!!» 
 
 
 
 
 
 

Um dia inesquecível

O Rui Duarte enviou esta foto com o bilhete que dava acesso ao concerto assim como as latas de PEPSI que faziam a promoção e a divulgação da digressão DANGEROUS em Portugal. Um momento histórico no nosso país para qualquer fã MJ!

Rui Duarte descreve a sua experiência nas suas próprias palavras:

«Falando da vinda do Michael em Portugal, recordo-me que a sua vinda era tida como algo, de estranho e ao mesmo tempo, de expectativa. Na midia chegou-se a dizer que seria o Maior Espectaculo alguma vez realizado em Portugal, mesmo superando o concerto da banda Guns n”Roses, até ai o maior.
Os portugueses viam na altura o Michael Jackson como um artista bizarro, cheio de manias e onde o seu aspecto fisico e suas excentricidades eram mais comentadas do que propriamente o seu lado artistico e humanitário. Jornais e revistas era o sensacionalismo que pairava.
Recordo-me que estava no liceu, algures nos 11° ou 12° ano, na época com 21 anos, e nunca se ouvia falar de Michael Jackson. Portanto, encontrar Fãs era uma terefa muito dificil.
Como queria ir ver o concerto e não tinha carta de condução ainda na altura, fui com uma amiga minha, a Elke e um outro rapaz amigo dela, mas que não era Fã, e fomos comprar os bilhetes num dos Bancos que vendiam os ingressos e combinamos e fomos com os pais dela.
Recordo-me que a viagem foi feita debaixo de chuva do Algarve a Lisboa, fomos cedo e assim que chegamos a Lisboa por volta da tarde, fomos directamente para o estádio de Alvaiade. Foi um autêntico frenesim, a multidão que ansiava pela abertura dos portões, gritando seu nome e muitos deles vestidos com tshirts do MJ e não só… muitos espanhois por sinal e sei que por vários momentos pensei: estou feliz, nao só por ir ver o concerto, mas por ver a multidão presente no qual eu nunca imaginei em Portugal. Principalmente ver Fãs portugueses. Afinal, existe quem goste de Michael Jackson. Não só sou eu e a Elke. Estava de facto muito longe da realidade no meu Algarve.
Assim que abriram os portoes, la fomos nós, nao ficamos muito perto do palco, visto que estavamos com os pais da minha amiga …mas os ecrãs Jumbotrons ajudaram. Gritavamos Michael, Michael… depois da actuação da rapariga de nome Rosalia creio eu, e assim que ele apareceu debaixo do palco e ficando em estatua por alguns minutos, foi a loucura total como todos nós sabemos, mesmo para quem nao foi.
Apesar de no espectaculo de Lisboa ter faltado alguns pormenores, um deles por exemplo a descida do anjo na canção Will you be There, que nao existiu.
De recordação da época, guardei o meu bilhete religiosamente claro, e algumas latinhas Pepsi que faziam propaganda ao concerto da Dangerous Tour em Lisboa. Um dia inesquecivel… mas la regressamos ao Algarve, cheios de esperança que depois da sua vinda a Portugal, provavelmente mais Fãs apareceriam para assim, eu poder partilhar e disfrutar dos momentos vividos e do meu merchadising que já na altura era bastante. Aqui vos deixo um pouco da minha historia da vinda do Michael a Portugal em 1992.»

O dia da inocência

Ana Paula foi das primeiras pessoas a inscrever-se no clube há nove anos e envia-nos a sua experiência antes, durante e depois do anúncio da inocência de Michael Jackson:

O dia da inocência

“Antes: quando o Delfim me disse que o veredicto iria sair dentro de uma hora nem queria acreditar. Fiquei super nervosa e embora tivesse confiança era um assunto demasiadamente sério para todos nós e não poderia ser sentido de uma maneira leviana. Afinal, a história dos jurados já terem contractos com os media, era uma coisa que me assustava de alguma forma. Por cada minuto que passava, o meu coração ia batendo cada vez mais depressa. Foi com muita ansiedade que segui na Skynews o arranque das 4 carrinhas em direcção a neverland. Fiquei muito emocionada quando vi o cordão de solidariedade que os empregados do Michael fizeram antes dele sair de lá. Foi com nervosismo que testemunhei a entrada no tribunal, pois o momento da verdade e esperava eu que da justiça também, se aproximava. Estava quase.

Durante: Tinha comido às pressas o jantar que estava a arrefecer, mas que não tinha tido nem vontade de comer. Estava demasiado ansiosa. As minhas mão suavam, não parava quieta, o meu coração desesperado por sair boca fora… Até que por trás da voz da jornalista distingui a voz de outra mulher. Era Lona Frey (acho que é assim que se escreve) com o veredicto… As minhas pernas vacilaram, pareceu uma eternidade até que ela começasse a parte que verdadeiramente interessava… Primeira acusação… Veredicto: INOCENTEEEEEEEEEEEE!!!!!!!!!!!!!! Não podia berrar por causa dos meus pais, mas mesmo que estivesse sozinha, a voz me iria falhar… dei um pulo, juntei as mãos à frente da cara como se estivesse a rezar, e rola a primeira lágrima de alegria, de delírio! Segunda acusação: INOCENTE!!!! O mesmo ritual repete-se. Terceira, quarta quinta… Uma após uma, as palavras mais amadas naquele momento, “not guilty” saíam da caixa que mudou o mundo, inabaláveis, seguras, leves como um pássaro… Tal e qual as pombas brancas que uma fan se lembrou de soltar, por cada vez que a justiça ia sendo feita. Lindo! Ouvia berros, via fans em delírio, aos pulos, a chorar como eu, de felicidade! Ah, que felicidade sublime!!!!! O momento mais esperado por nós desde 12 anos atrás!!! Quando Lona Frey se calou, finalmente me apercebi que já tinha acabado o veredicto. E a frase “Free on all counts” depressa se espalhou pelas bocas de todos os jornalistas e pelos corações de todos os fans! Finalmente o pesadelo acabou!!!

Depois: Rebentando de alegria, fiquei mais um pouco para ver a saída do Tomas “mad dog” Sneddass… Mentalmente “disse-lhe” muitas coisas, as quais não tive coragem de dizer, logicamente por causa da presença dos meus pais na sala… hehehehe. Aguardei ansiosa que Michael saísse da sala do tribunal, mas ao contrário dos jornalistas, que pensavam que fosse possível ele dirigir a palavra ao público, eu tinha a certeza que ele não o iria fazer. Pela cara de nervosismo que ele tinha ao entrar no tribunal, vi que ele estava muito tenso, e quando finalmente saiu, reparei que ele ainda “não estava em si”, pelo que logicamente não iria dar declarações. Mas eu já pulava, dançava e chorava de alegria com um sorriso que não sei como, era maior que a Manuela Moura Guedes alguma vez iria conseguir fazer.

O pesadelo finalmente tinha acabado, estava mais leve que uma pena, e acho que o Michael também se sente assim. Corri para a net para festejar online com os fans, fiz download dos vídeos da entrada e saída no tribunal e do áudio do veredicto, para mais tarde recordar que afinal ainda é possível confiar nas pessoas e na justiça, e que a verdade ainda conta!!! Nunca costumo planear a roupa que visto no dia seguinte, mas desta vez fui direita ao gavetão buscar o meu top personalizado do MJ, o meu rei, o meu ídolo, o meu herói, para vestir no dia seguinte… Ainda não estou em mim!!!”